sexta-feira, 13 de agosto de 2010

'Indios de Minas gerais(Os Borun do Watu)

Os Borun do Watu



Nome e língua. Os Borun constituem-se nos últimos Botocudos do Leste, nome atribuído pelos portugueses no final do século XVIII aos grupos que usavam botoques auriculares e labiais. São conhecidos também por Aimorés, nominação dada pelos Tupí, e por Grén ou Krén, sua auto-denominação. O nome Krenák é o do líder do grupo que comandou a cisão dos Gutkrák do rio Pancas, no Espírito Santo, no início do século XX. Localizaram-se, naquele momento, na margem esquerda do rio Doce, em Minas Gerais, entre as cidades de Resplendor e Conselheiro Pena, onde estão até hoje, numa reserva de quatro mil hectares criada pelo SPI, que ali concentrou, no fim da década de 20, outros grupos Botocudos do rio Doce: os Pojixá, Nakre-ehé, Miñajirum, Jiporók e Gutkrák, sendo este o grupo do qual os Krenák haviam se separado.

Os Krenák pertencem ao grupo lingüístico Macro-Jê, falando uma língua denominada Borun. Apenas as mulheres com mais de quarenta anos são bilíngües, enquanto os homens, jovens e crianças de ambos os sexos são falantes do português. Nos últimos três anos vêm envidando esforços para que as crianças voltem a falar o Borun.

Religião. Eram, à época do contacto, em 1910, predominantemente caçadores e coletores seminômades, com organização social caracterizada pelo constante fracionamento do grupo, pela divisão do trabalho por sexo e idade e um sistema religioso centrado na figura dos Marét e dos espíritos encantados de seus mortos, os Nanitiong, responsáveis pela fecundação das mulheres humanas e por emitir avisos de morte. Os Marét, habitantes das esferas superiores, eram os grandes ordenadores dos fenômenos da natureza e, dentre eles, se destacava o Marét-khamaknian, herói criador dos homens e do mundo, benevolente e civilizador da humanidade.

Outras entidades do panteão religioso dos Botocudos eram os espíritos da natureza - os tokón -, responsáveis pela eleição dos seus intermediários na terra, os xamãs, com os quais mantinham contacto durante os rituais e que, quase sempre, acumulavam o cargo dederes políticos. Havia, ainda, as almas, espíritos que viviam nos corpos dos humanos, adquiridos a partir dos quatro anos de idade, quando eram implantados os primeiros botoques labiais e auriculares. A alma principal abandonava o corpo durante o sono e, quando se perdia, ocorria a doença. Antes de a pessoa morrer, sua alma principal morria dentro de seu corpo. As outras seis almas que habitavam o corpo acompanhavam o cadáver até seu túmulo, sobre o qual voavam, chorando. Eram invisíveis para os membros da comunidade presentes à cerimônia. Caso suas necessidades de alimento e luz não fossem atendidas, essas almas complementares poderiam transformar-se em onças e ameaçar a aldeia, pois, não se alimentando, morreriam de fome. Passados alguns anos, espíritos bondosos da esfera superior vinham buscá-las para seu espaço, de onde não mais voltavam. Dos ossos dos cadáveres, surgiam espíritos que passavam a morar no mundo subterrâneo, no qual o sol brilhava durante a noite terrestre. Eram espíritos grandes, maus e negros que vagavam pela aldeia atacando os vivos, principalmente as mulheres, desenterravam os mortos, batiam no chão, assustando a todos, matando animais por espancamento. As vítimas se defendiam tentando surrá-los e evitando saírem de seus abrigos durante a noite.

História do contato. O território original dos Botocudos era a Mata Atlântica no Baixo Recôncavo Baiano, tendo sido expulsos do litoral pelos Tupi, quando passaram a ocupar a faixa de floresta paralela, conhecida por Floresta Latifoliada Tropical Úmida da Encosta ou Mata Pluvial Tropical, localizada entre a Mata Atlântica e o rebordo do Planalto. Depois do século XIX deslocaram-se para o sul, atingindo o rio Doce em Minas Gerais e Espírito Santo.

Desde os primeiros contactos, ainda no século XVI, foram acusados de antropofagia, o que não se confirma na documentação. Entretanto, este sempre foi o grande argumento para justificar as constantes decretações de Guerra Justa e convencer os grupos indígenas com que viviam em conflito - Tupi, Malalí, Makoní, Pataxó, Maxakalí, Pañâme, Kopoxó e Kamakã-Mongoió - a se aldearem com promessas de proteção e acesso aos bens da sociedade dominante, como armas de fogo. Apesar da resistência tenaz, os grupos Botocudos foram aldeados por militares, diretores leigos e missionários em vários pontos dos atuais estados da Bahia, Minas Gerais e Espírito Santo a partir da decretação da Guerra Justa autorizada pelo governo português através das Cartas Régias de 13 de maio, 24 de agosto e 2 de dezembro de 1808 assinadas no Rio de Janeiro pelo Príncipe Regente D. João. A primeira Carta Régia determinava a guerra ofensiva aos Botocudos de Minas Gerais por considerar que os mesmos eram irredutíveis à civilização e que a guerra de caráter defensivo não surtia os efeitos desejados no tocante a garantir a expansão da conquista naquela capitania. A segunda autorizava o Governador e Capitão General da mesma capitania a criar uma tropa especializada no combate a índios para viabilizar a guerra ofensiva determinada na Carta Régia anterior. Finalmente, a terceira estabelecia planos acerca de como promover a educação religiosa dos índios e seu efetivo controle como forma de viabilizar a navegação dos rios e o cultivos dos terrenos ocupados pelos Botocudos. No contexto desse plano, o Príncipe autorizava o confisco das terras ocupadas por esses grupos, que passavam a ser consideradas como devolutas e deveriam ser distribuídas como sesmarias, particularmente entre os que se destacassem na guerra ofensiva. A esses novos proprietários também era garantido o livre acesso ao trabalho dos indígenas que fossem capturados em atitude aguerrida por um período que variava entre doze e vinte anos, a depender do grau de rusticidade e dificuldade dos aprisionados em apreenderem as novas formas de trabalho. Também era prevista a criação de aldeamentos administrados por particulares para educar os índios que se submetessem e se apresentassem "com interesse e boa disposição".

Embora as três Cartas Régias se referissem especificamente à capitania de Minas Gerais, as suas deliberações foram estendidas às capitanias da Bahia e Espírito Santo no mesmo ano para atender às solicitações de seus governadores.

Hoje o contingente demográfico dos Botocudos do Leste está reduzido a cento e oitenta pessoas, sendo, na sua maioria, composto de crianças e jovens descendentes de relações interétnicas entre os Krenák com outros grupos indígenas, como os Guarani e os Kaingang, e com a população regional.

As principais razões dessa predominância de mestiços foram a invasão por moradores da região e o arrendamento pelo SPI das terras do Posto Indígena Krenák, o processo de diáspora sofrida ao longo da administração do SPI e da FUNAI - em 1953 para o Posto Indígena Maxakalí, de onde retornaram a pé em 1959, e em 1973 para a Fazenda Guarani -, e a convivência com os chamados "índios infratores" deslocados pela FUNAI de vários pontos do país, a partir de 1968, para o Reformatório Agrícola Indígena ou Centro de Reeducação Indígena Krenák. Centro de Reeducação Indígena Krenák. O Reformatório foi implantando sob a administração do Capitão Manoel Pinheiro, da Polícia Militar do Estado de Minas Gerais, e para lá eram enviados os indígenas que opunham resistência aos ditames dos administradores de suas aldeias ou eram considerados como desajustados socialmente. No Presídio eram mantidos em regime de cárcere, sofrendo repressões, como o confinamento em solitária e castigos físicos em casos de insubordinação. Eram-lhes impostas atividades na agricultura durante o dia, sob forte vigilância de soldados da Polícia Militar de Minas Gerais e dos índios agregados à Guarda Rural Indígena (GRIN), também fundada pelo Capitão Pinheiro.

A Guarda era composta por índios que Pinheiro definia como de "excepcional comportamento", devidamente treinados e fardados, e encarregados de manter a ordem interna nas aldeias, coibir os deslocamentos não autorizados, impor trabalhos e denunciar os infratores ao Destacamento da Polícia Militar.

Ante a pressão dos fazendeiros e políticos para a extinção definitiva do PI Krenák e a liberação definitiva da área para a emissão dos títulos de propriedade aos arrendatários, apesar dos Krenák haverem ganho em 21/03/1971 a ação de reintegração de posse dos 4.000 hectares e o juiz ter determinado o prazo de quinze dias para os arrendatários serem retirados da área indígena, Manuel Pinheiro fez um novo acordo com o governo de Minas Gerais em dezembro daquele mesmo ano. Negociou uma permuta entre a área Krenák e a Fazenda Guarani, no município de Carmésia, pertencente à Polícia Militar de Minas Gerais, para onde os Krenák e os prisioneiros indígenas foram transferidos, ao invés da retirada dos arrendatários como a Justiça determinara. É interessante observar que também a Fazenda Guarani, antiga sede de tortura de presos políticos usada pela Polícia Militar de Minas Gerais, estava ocupada por grande quantidade de rendeiros e posseiros.

Apesar de o acordo ter estabelecido que a FUNAI só deveria receber a Fazenda Guarani livre dos ocupantes, Pinheiro sequer esperou essa cláusula ser cumprida, merecendo, por isso, até mesmo uma repreensão por escrito da Presidência do órgão.

Diante da resistência dos Krenák em serem, mais uma vez, transferidos, Pinheiro determinou que os índios que persistiam na recusa a abandonar a área fossem algemados e levados à força para Governador Valadares, sede da Ajudância Minas-Bahia, da FUNAI. Dali, todos os Krenák, os presos do Reformatório e um grupo de índios Guarani, que ali haviam se instalado em 1969 vindos de Parati, no Rio de Janeiro, seus poucos pertences e os alimentos foram colocados em caminhões e enviados para a Fazenda Guarani. Os índios também não aceitaram nela permanecer e sua reação aumentou após a chegada de um grupo de índios Pataxó do Posto Indígena Barra Velha, na Bahia, que permanecem até os dias atuais na Fazenda Guarani.

Queixando-se das péssimas condições de vida, de não haver rio de grande porte que lhes permitisse pescar - a mais valorizada forma de obter alimento -, do clima muito frio, de perderem o que plantavam por estar o solo esgotado, da convivência forçada com os Pataxó, com os Guarani e com os presos do Reformatório, além da falta de argila para fazerem cerâmica, algumas famílias Krenák optaram por se dirigir para o Posto Indígena Vanuíre (SP), para a cidade de Colatina (ES) e para Conselheiro Pena (MG).


Retorno à terra. Em 1980 os demais optaram por retornar à área do PI Krenák. Contudo, o retorno desejado não era tão fácil. Toda a área indígena estava em mãos dos antigos arrendatários, inclusive a antiga sede administrativa do Posto Indígena, que a RURALMINAS, órgão estadual responsável pela administração das questões de terras em Minas Gerais, repassara ao Patronato São Vicente de Paula da cidade de Resplendor, que ali instalou um orfanato. Para completar o quadro de dificuldades, o estado de Minas Gerais havia distribuído títulos de propriedade aos arrendatários, alterando seu status e seus direitos e fortalecendo sua luta pelo afastamento definitivo dos índios.

Enfrentando todo esse quadro adverso, 26 dos 49 Krenák que haviam sido levados para a Fazenda Guarani retornaram, em 1980, às terras do rio Doce, instalando-se por conta própria, em pequena parcela da área, nas ruínas da antiga sede abandonada pelo Patronato São Vicente de Paula e no antigo Reformatório, perfazendo um total de 68,25 hectares.
Permaneceram nessa área exígua até 1997, quando, após longo período de citação judicial dos ocupantes da área, os quatro mil hectares lhes foram restituídos por decisão judicial do Supremo Tribunal Federal relativo ao processo de número 891782-0 de outubro de 1989 que solicitava a anulação dos títulos de propriedade emitidos ilegalmente pelo governo mineiro. A partir dessa data foi reconstituída a área originalmente doada pelo governo mineiro, através do Decreto 4462 de 10/12/1920, após um demorado processo de demarcação iniciado em 1918 e concluído em 1920.


Chefia e faccionalismo. Antes da retomada da totalidade da área reservada, ao se chegar à aldeia dos Krenák, podia-se observar o grupo liderado por Laurita Félix, uma faixa intermediária de terras não ocupadas e a outra facção política liderada pelo cacique Hin (José Alfredo de Oliveira, também conhecido por Nego, que é tradução do seu apelido em Borun) à direita do ribeirão do Eme. Hoje, o grupo de Laurita instalou-se nas fazendas localizadas na área de influência do rio Doce, enquanto o grupo de Hin passou a ocupar as que se localizam "atrás ou no fundo" da Reserva, após a grande serra do Cuparaque, que divide a área no sentido Leste-Oeste.

O fato de um dos grupos ser liderado por uma mulher - Laurita Félix - é perfeitamente coerente com a tradição Botocudo, no que se refere ao fato de as mulheres deterem o poder de decisão sobre grandes questões internas.
Em termos de representatividade externa, porém, é o cacique que tem voz ativa. Coerentemente com os antigos padrões de ordenamento político, Laurita está preparando seu filho, Rondon Krenák, para assumir as funções de cacique, através do qual, ela poderá exercer de forma mais efetiva o poder sobre o grupo.

A oposição entre as duas metades sociais organizadas em facções políticas é amenizada pelas regras exogâmicas de casamento entre as famílias extensas - Isidoro, Félix, Damasceno e Souza -, pois, ao estabelecer alianças matrimoniais, o grupo consegue amenizar os conflitos e, assim, define-se um convívio relativamente amistoso entre as famílias e os dois grupos. A prole resultante dessas uniões recebe o sobrenome do pai e é identificada como membro da metade à qual este pertence. A exceção ocorre em situações de casamentos interétnicos nos quais a mãe seja Krenák, quando, apesar do sobrenome ser o paterno, a pertinência é definida pela metade à qual a mãe pertence.
No caso dos Krenák, um dos fatores de oposição decorre, também, do fato de o grupo liderado por Laurita Félix ser Nakre-ehé e Miñajirum, oriundos do aldeamento do Pancas, o que fez com que nunca se integrassem totalmente aos Krenák, originalmente estabelecidos no ribeirão do Eme, representados pelo cacique Hin.

Nessa posição de disputa pela liderança, Laurita busca seus fundamentos argumentando o poder tradicional das mulheres e o fato de as mesmas deterem o conhecimento histórico da trajetória do grupo, da língua e dos rituais.

Além de Laurita, há outras figuras femininas representativas: sua filha, Marilza, a xamã dos Krenák, Sônia e Paula, aliadas da família Félix, todas envolvidas nos esforços de reviver a língua Borun, os cantos, os rituais e a tradição de socializar as crianças pelos métodos tradicionais. Nesse processo revivalista, o papel de Marilza Félix é extremamente importante. Na qualidade de única xamã e dizendo-se porta voz do seu antecessor Krembá, afirma ser deste a determinação de serem realizados os trabalhos de reorganizar o grupo, voltar a "dançar" seus rituais, fazer arcos e flechas, curar suas doenças pela forma tradicional, falar sua antiga língua e recuperar o mastro sagrado, levado da aldeia na década de 30 por Curt Nimuendajú. Apesar dos esforços dos índios e de consultas realizadas, não foi possível até o momento localizar o referido mastro.

Nesse novo contexto, observa-se, portanto, que os Marét perderam importância no novo panteão Botocudo, embora o medo aos Nanitiong e aos espíritos dos mortos, que não receberam alimentos e cuidados rituais, continue presente. Atualmente, os Tokón assumiram o papel central do universo religioso Krenák, estando profundamente associados à disputa política entre as duas metades.

O grande desafio vivido, hoje, pelos Krenák é o de se ajustarem ao novo/antigo espaço de quatro mil hectares, viabilizarem sua exploração econômica, apesar da baixa densidade demográfica e da falta de recursos para investirem de modo a terem acesso ao mercado regional. Aliás, essa pretensão encontra outra grande barreira na oposição, preconceito e má vontade dos moradores das cidades vizinhas, cujas autoridades consideram como um grave prejuízo para a comunidade de produtores rurais, cooperativas e prefeituras locais as terras terem retornado ao domínio dos índios.


Nota sobre as fontes. As primeiras referências aos Botocudos datam ainda do século XVI quando eram referidos por cronistas e jesuítas pela denominação de Aimorés. Como Botocudos há farta documentação de caráter administrativo e elaborada por viajante naturalistas a partir do início do século XIX.
Como Krenák, as primeiras notícias datam do início do século XX e estão associadas à construção da Estrada de Ferro ligando Vitória, no Espírito Santo, à atual cidade de Governador Valadares, em Minas Gerais. Essas notícias foram produzidas tanto pelos construtores da Estrada de Ferro, destacando-se a obra de Ceciliano Abel de Almeida, como pelos funcionários do SPI encarregados de aldear os Krenák, merecendo destaque os relatórios de Antônio Estigarribia, e do governo mineiro designados para realizar os estudos necessários à demarcação da área destinada à criação do aldeamento.

Só a partir da década de 20 é que alguns estudiosos que se dedicam a descrever a sociedade Krenák, destacando-se os trabalhos dos mineiros Nelson de Senna e Simoens da Silva. A partir de então, alguns geógrafos como Walter Egler e William Steains, preocupados com o processo de ocupação do rio Doce, passaram a se referir aos Krenák.

Também lingüistas, como Charlotte Emmerich, Ruth Monserrat e Lucy Seki realizaram estudos acerca da língua Borun.

Há, ainda, trabalhos realizados por estudantes da Universidade Federal de Juiz de Fora e da Universidade Federal da Bahia e as pesquisas de Maria Hilda Baqueiro Paraíso, inclusive um dos temas tratados em sua tese de doutorado e que se encontra em fase de negociação para publicação.

Está sendo realizado o vídeo Erré Krenak, cujo público alvo são crianças em idade escolar que, assim, poderão ter acesso à história do povo Krenák como tentativa de eliminar o preconceito e a discriminação. Produção Independente, dirigido por Nívea Dias e Alessandro Carvalho, com roteiro de Rita Espeschit e direção de arte de Cristiane Zago. Realização do Conselho Indigenista Missionário Leste e Centro de Documentação Elói Ferreira da Silva com o apoio da Secretaria de Estado da Cultura de Minas Gerais. O vídeo tem a duração de 20 minutos e deverá ser lançado no início de 1999.



O último dos botocudos


Povos indígenas de Minas Gerais


Nome do Povo: ARANÃ
População: Número de indivíduos ainda indeterminado.
Localização: Araçuaí, Vale do Jequitinhonha
Terras demarcadas: Ainda lutam pelo reconhecimento étnico.
Distância a partir de Belo Horizonte: 656 km
O povo Aranã também tem sua origem na história dos Botocudos. Distinguiam-se, no entanto, politicamente, de outros grupos Botocudos, mantendo inclusive uma pequena variação dialetal, significativa da distância que mantinham estrategicamente, como forma de reafirmarem sua diferença dos demais. Os Aranã foram aldeados pelos missionários capuchinhos em 1873, no Aldeamento Central Nossa Senhora da Conceição do Rio Doce, onde grassaram epidemias que dizimaram a população. Alguns sobreviventes migraram para o Aldeamento de Itambacuri, de onde saíram os ancestrais dos Aranãs de hoje, para o trabalho em fazendas na região do Vale do Jequitinhonha. Famílias descendentes daqueles indígenas – antes estigmatizados pela identificação pejorativa de "caboclos", termo relacionado a um suposto "atraso cultural" historicamente atribuído às populações de origem indígena - buscam hoje valorizar e recuperar sua memória, organizando-se em torno da luta para o reconhecimento oficial de sua identidade étnica. Encontram-se dispersos por diversos municípios de Minas Gerais, porém possuem seus núcleos mais significativos na zona rural dos municípios de Coronel Murta e Araçuaí, no Vale do Jequitinhonha, MG.


Nome do Povo: CAXIXÓ
População: não determinado. Localização: municípios de Martinho Campos e Pompéu.
Este grupo luta pelo reconhecimento étnico oficial desde 1986.
Distância a partir de Belo Horizonte: 279 km
Fixados nos municípios de Martinho Campos (fazenda Criciúma) e Pompéu (fazenda São José) - centro-oeste mineiro (aproximadamente 206 km de Belo Horizonte) - os Kaxixó somam cerca de 65 indivíduos envolvidos na luta pelo reconhecimento étnico oficial. Conscientes dos laços de parentesco que os une e de sua origem indígena, os Kaxixó lutam pelo reconhecimento étnico desde 1986. Presentes nas discussões sobre a questão indígena no estado e no país, eles possuem o apoio dos 28 povos indígenas da região leste e nordeste representados através da APOINME - Articulação dos Povos Indígenas do Nordeste, Minas Gerais e Espírito Santo). Atendendo uma demanda dos Kaxixó, o CEDEFE, juntamente com a ANAÍ (Associação Nacional de Ação Indigenista) desenvolveu um trabalho de estudo histórico-antropológico, a fim de documentar a história desse povo, apoiando-o na luta pelo reconhecimento étnico oficial. Este relatório encontra-se à disposição nos arquivos do CEDEFES.


Nome do Povo: KRENAK
Aldeia: Posto Indígena Krenak - município de Resplendor (Médio Vale do Rio Doce).
População:Aproximadamente 120 indivíduos. Alguns residem na Fazenda Guarani junto aos Pataxó no município de Carmésia MG, como também no Município de Vanuire, S.P.
Terras Demarcadas: 4.000 hectares- área demarcada e homologada em junho de 1997.
Tronco lingüístico: Macro-Jê.
Distância a partir de Belo Horizonte: 815 km.
O povo indígena conhecido hoje como Krenak, habitante da margem esquerda do Rio Doce, município de Resplendor, na região Leste de Minas Gerais, formou-se ao longo de um processo histórico marcado pelo caráter violento da expansão econômica sobre aquela região, originalmente de densa mata atlântica, onde diversos grupos de "Botocudos" – resistindo à colonização em outras zonas já "conquistadas" pelos brancos - se abrigaram até meados do Século XIX. Os Botocudos – nome com o qual os portugueses pejorativamente os designavam, em referência aos adornos usados nas orelhas e nos lábios – ou Borum – termo que significa "gente", em língua indígena, e que segundo o qual os Krenak designam-se, hoje, a si e aos demais índios, em oposição aos Kraí, os não-índios – eram falantes de uma mesma língua, apesar das significativas variações dialetais que serviam para demarcar diferenças entre os diversos grupos nos quais se compunham. O grupo liderado por Krenak foi o último a negociar com as autoridades governamentais seu processo de "pacificação" e "civilização", ocorrido logo no início dos trabalhos do recém-inaugurado Serviço de Proteção aos Índios e Localização de Trabalhadores Nacionais, em 1911. O território que ocupam, hoje, foi demarcado pelo governo em 1920, porém logo invadido por fazendeiros e posseiros que lá permaneceram até 1997, quando finalmente, após uma trajetória de expulsões e dispersões de famílias por áreas indígenas em todo o país, os Krenak voltaram a tomar posse de uma área de 2 000 ha., onde desenvolvem hoje suas atividades econômicas, passando por um momento de "intensificação cultural" que visa o fortalecimento de seu projeto de autonomia. Três famílias extensas – compostas por membros de origens étnicas distintas – conformam uma população de aproximadamente 32 famílias nucleares, que compreendem cerca de 200 indivíduos, divididos em três núcleos ou "aldeias". Em decorrência de sua história de dispersões, há indivíduos Krenak dispersos em diversas áreas indígenas, porém o grupo mais importante se situa em Vanuíre – SP, juntamente com os Kaingang, na Área Indígena conhecida como "Tupã".



Nome do Povo: MAXAKALI
População: aproximadamente 800 indivíduos.
Aldeias: Água Boa e Pradinho.
Terras: Água Boa - 2.412,69 ha, Pradinho-1.028,39 ha, área intermediária - 1.852,55 ha - TOTAL: 5293,63 ha.
Municípios: Bertópolis e Santa Helena - Vale do Mucuri.
Macro-jê, Família Maxakali.
Distância a partir de Belo Horizonte: 619 km.
Semi – nômades , caçadores e coletores os Maxakali se deslocaram por um vasto território em decorrência de suas atividades guerreiras e em busca de sobrevivência. A região que se estende do sul da Bahia ao Vale do Rio Doce, na qual vivem ainda hoje, também era habitada por inúmeros outros povos de culturas diferentes que se autodenominavam – Borun – homens, verdadeiros. Esses povos, a partir do século XVIII são , pejorativamente , chamados de Botocudos pelos portugueses e neobrasileiros. De 1658 em diante, esses povos aliam-se aos africanos de origem Banto e aí organizam na famosa Confederação dos Guéren. Por quase 200 anos defendem seus territórios invadidos por bandeirantes, caçadores de índios ou de riquezas mineiras. Proibindo a abertura de estradas em direção ao leste, visando impedir o acesso à região das minas por outros povos da Europa, essa região coberta pela Mata Atlântica se tornou o santuário dos povos confederados. Em 1804, com a chegada da família real ao Brasil , uma nova e repressiva política indigenista muda a conjuntura dessa região. Oficializa-se a guerra contra os povos que estabeleciam resistência , através do Decreto de 13 de maio de 1808. Ao longo dos rios Doce e Jequitinhonha estabelecem-se os fortes militares que se multiplicam em inumeráveis quartéis . Cria-se a Campanha de Desenvolvimento e Navegação do Rio Doce e Civilização dos Índios. Dá-se ampla anistia aos que se notabilizaram no extermínio das aldeias e na captura e escravização de homens e mulheres indígenas. O Tráfico de crianças para serem vendidas no litoral se torna comum no Jequitinhonha. Do quartel de São Miguel partem inúmeros grupos de soldados e a guerra se estende por todo o Vale. Capturados os homens e por dez anos transformados em escravos na fazendas; restou às mulheres serem capturadas " com laço ou com cachorros treinados", recebendo o mesmo fim. Transformados em mão de obra, explorados pelos soldados nos quartéis, esses homens e mulheres são responsáveis pelos fortes traços indígenas da cultura do povo dessa região. São esses homens admiráveis que sobreviveram como agregados das fazendas , como posseiros e trabalhadores rurais de hoje, entre outros. Inimigos ancestrais dos Borun, os Maxakali disputaram com eles áreas de caça, pesca e coleta. Por outro lado, a presença militar se torna cada vez mais efetiva. Inicialmente os Maxakali resistem ao confronto com os bandeirantes e militares. Mas as suas áreas de perambulação e territórios vão ficando cada vez mais restritos. Conseguem abrigo nos quartéis e muitos deles se transformam em soldados no combate aos Borun, ou servem como canoeiros , transportando passageiros e mantimentos de Belmonte a Araçuaí. E assim ganham fôlego , engendrando novas formas de resistência. Esprimidos pelos militares, fazendeiros e pelos Borun, os Maxakali se organizam , ganham terras, constróem aldeias e continuam falando a sua língua e realizando seus rituais. Como aliados dos quartéis , lhes é permitida certa privacidade . Conscientes , no entanto , das limitações impostas, se rebelam contra os militares e iniciam o retorno às matas, abandonando as terras doadas e aldeias. Nessa trajetória , estabelecem territórios como em Rubim, onde em 1917 ocorreu um grande massacre. Os sobreviventes desceram em direção às aldeias do Umburanas. É ali, que juntos, estabelecem um grande território e nele se firmam até hoje.



Nome do Povo: PANKARARU
População: 17 indivíduos em Minas Gerais e aproximadamente 6.000 indivíduos em Pernambuco.
Aldeias: Apukaré - município de Coronel Murta (Vale do Jequitinhonha).
Terras: 68 hectares.
Situação Fundiária: área doada pela Diocese de Araçuaí.
Tronco lingüístico: Macro-Jê.
Originários de Pernambuco, os Pankararu se espalharam por vários estados brasileiros ao longo do século XX. Este êxodo se deu devido à construção da hidreletrica de Itaparica no Rio São Francisco , à seca, aos conflitos oriundos da luta pela terra e às inúmeras outras agressões . O grupo familiar de "Seo" Eugênio Cardoso da Silva e Benvinda Vieira, migrou desta região em busca de melhores condições de vida para seus filhos, tendo, durante quase 30 anos convivido com outros povos, como: Krahô, Xerente, Karajá e os Pataxó de Minas Gerais - com estes últimos viveram durante 11 anos. Os filhos e filhas, já adultos, casaram–se entre os Pataxó. A pressão demográfica na área Pataxó e o desejo de terem sua própria terra onde pudessem viver como Pankararu com sua cultura própria, fez com que durante o ano de 1993 procurassem ONG's, Pastorais e outras entidades. Em 1994, participaram da Romaria dos Migrantes no Vale do Jequitinhonha, quando externaram o desejo de terem terra para o seu povo. A Diocese de Araçuaí doou então 60 ha de terra, para onde se mudaram em 12/06/94. Nestes últimos 6 anos construíam a Aldeia Apukaré ( 4 casas, 1 quadra de futebol, canalização de água) dedicando à agricultura e confecção de artesanato. Ao mesmo tempo vem participando de eventos culturais no Vale do Jequitinhonha , cursos de formação para facilitar seu processo de fixação na região assim como de eventos promovidos pelo movimento indígena e movimento popular em nível estadual e nacional. Ao todo, a Aldeia Apukaré conta com a presença de 4 casais: Adultos: 09, Crianças: 08, Idosos: 02, Jovens: 02, totalizando 21 pessoas, sendo 17 Pankararu, 03 Pataxó e 01 Krenak. Com uma cultura particular (cantos, danças, indumentária típica, festas, pinturas corporais), os Pankararu têm servido como estímulo à população do vale, bem como aos descendentes de indígenas que ainda vivem nesta região, como vem sendo o caso do Povo Aranã.

Nome do Povo: PATAXÓ
População: Aproximadamente 230 indivíduos.
Aldeias: Reserva indígena na Fazenda Guarani, localizada no município de Carmésia, Vale do Aço.
Terras Demarcadas: 3.269,71 hectares, que é a totalidade da reserva. A situação fundiária está regularizada, não havendo invasores.
Tronco lingüístico: Macro-Jê , Família Maxakali.
Distância a partir de Belo Horizonte: 222 km.
O Povo Pataxó, originário do Sul da Bahia, ocupa a Fazenda Guarani, no município de Carmésia/MG desde a década de 70, totalizando aproximadamente 300 pessoas. Conhecidos pelo seu semi-nomadismo, a chegada dos Pataxó em Minas é conseqüência de dois fatos históricos importantes: o primeiro, quando ocorre o famoso "Fogo de 51" caracterizado pela ação violenta da polícia baiana que desarticulou as aldeias, dispersando o Povo Pataxó, como forma de promover a "ocupação civilizada" na região de Porto Seguro; o segundo foi a transformação de 23.000 hectares de seu território em parque nacional – o Parque Nacional do Monte Pascoal, criado em 1943, e tendo sua área limítrofe oficialmente demarcada no ano de 1961, reduzindo seu território tradicional em 23.000 hectares. Dentre as atividades produtivas, destaca-se a produção e comercialização do artesanato, principal fonte de renda das famílias, além de possuírem uma agricultura primordialmente familiar, onde a produção excedente, como a banana, milho, feijão, farinha de mandioca, em alguns momentos são comercializados, mas com pouco entusiasmo pelo grupo devido ao baixo preço conseguido no mercado. Atualmente, os Pataxó têm investido na construção de tanques para piscicultura, que tem mobilizado grande parte das associações existentes na área e também a apicultura, onde contam com o apoio e a presença de entidades como a Emater, Secretaria de Estado da Educação, Prefeitura Municipal de Carmésia, além de Organizações não-governamentais como o Centro de Documentação Eloy Ferreira da Silva (CEDEFES), o Conselho indigenista Missionário (CIMI), entre outros. Com uma organização política pautada no chefe familiar, os Pataxó de Carmésia - MG possuem três principais lideranças, através do cacicado de José Terêncio Bayara, Sr. Manoel Mariano e Sr. Sebastião Mogangá. Uma parte muito importante da historia dos Pataxó em Minas se deu em 1983-84, quando, com os Krenak já no Rio Doce, a FUNAI simplesmente devolveu a Fazenda Guarani ao estado de Minas Gerais, pretendendo que os Pataxó que aí estavam voltassem para a Bahia ou fossem viver com os Tupiniquim no Espírito Santo! Neste momento eles tiveram que lutar, com a ajuda do GREQUI e do CIMI, para ficar na terra que já tinham escolhido como sua, conseguindo com que o governador Tancredo Neves finalmente lhes doasse, em definitivo, a terra onde estão... É este processo de luta que os tornou, de fato, os donos daquela terra, como eles se sentem hoje, e não como exilados ou degredados, como foram originalmente...


Nome do Povo: XACRIABÁ
População: aproximadamente 6.800 indivíduos.
Aldeias: 23 aldeias.
Terras: 46.414,92 ha - Município de São João das Missões (norte de Minas).
Situação Fundiária: Área demarcada, faltando a homologação, pagamento de benfeitorias e extrusão da área de Rancharia.
Distância a partir de Belo Horizonte: 798 km.
Antigos habitantes do Vale do São Francisco, os Xacriabá vivem no município de São João das Missões, Norte de Minas Gerais, a 720 Km de Belo Horizonte, e sua língua provém do tronco lingüístico Makro – Jê. Seu processo de contato com os não – índios não difere do ocorrido com os demais povos indígenas, em toda a sua história , sendo marcada por lutas e derramamento de sangue. Após o ano de 1728, depois de receberem título de posse de suas terras, viveram em relativa paz, acolhendo em suas áreas camponeses vindos da Bahia e de outras regiões de Minas Gerais, que ali plantavam roças de subsistência. A partir de 1969, o desenvolvimento de projetos agrícolas na região, pela Ruralminas, atraiu fortes grupos empresariais e grandes fazendeiros das cidades vizinhas, acentuado-se a invasão das terras dos Xacriabá . Nos anos 80, a tensão aumenta de forma insuportável, culminando no assassinato de grandes lideranças indígenas. O conflito se estende até 1988, quando é concluída a retirada dos fazendeiros invasores e concretizada a demarcação da área dos índios, de 46.414.92 ha, menos de um terço do que teriam direito. Reivindicando a ampliação de suas terras, os Xacriabá solicitaram à Funai a regularização de mais 6.600 hectares de terra, que compreendem a área de Rancharia. O processo referente a esta solicitação teve início em 1996 e no primeiro semestre deste ano (2001) foi realizada sua demarcação. Contudo, o processo não está concluído, pois falta a homologação da área e o pagamento das benfeitorias e extrusão dos atuais invasores. Na luta pela sobrevivência e pela resistência, diante das pressões e dificuldades sofridas, o povo Xacriabá se vê obrigado a reformular seus padrões de organização social e cultural. Atualmente, um de seus maiores desafios é a melhoria das precárias condições de vida, agravadas pelos longos períodos de seca na região. Essa adversidade tem causado sérios danos às lavouras, a principal fonte de renda e de subsistência . As pragas e as doenças também castigam as roças. As dificuldades enfrentadas para sustentar a família levam grande número de homens e mulheres a deixar as aldeias, em busca de emprego nas fazendas, usinas, canavieiras e casas de família – da região e de outros Estados. Nessa busca , são submetidas a trabalhos cruéis e desumanos, o que compromete sua saúde e a dos outros membros da comunidade, no retorno às aldeias. Além dos desafios para garantia da sobrevivência, é importante ressaltar a necessidade da autonomia política, social, religiosa e cultural dos Xacriabá. No campo da saúde, constatam-se poucos avanços, diante do descaso e da omissão por parte do governo. A inexistência de uma política eficaz nessa área, a ausência de saneamento básico e de água potável, são fatores que têm levado esse povo a altos índices de mortalidade. Quanto à educação, são poucas as escolas existentes na área ocupada por eles. Percebe-se a necessidade de continuar a formação de professores indígenas, sobretudo no tocante ao auxílio pedagógico para o trabalho em sala de aula. Nos campos de formação da consciência política e da relação dos Xacriabá com a sociedade que os envolve, muito já se avançou. Nota-se o estabelecimento de contatos e parcerias com movimentos populares, trabalhadores rurais e entidades que contribuem para o fortalecimento de sua luta. Entretanto, há muito ainda a superar em relação aos preconceitos e à discriminação que sofrem de grande parte da sociedade. Mas nem tudo são sombras na vida desse povo. Muitos são os sinais de esperança na vida dos Xacriabá . São mulheres e homens que, com grande força interior, insistem no sonho e na luta de serem protagonistas de sua própria história. Isso se constata na preocupação com o uso sustentável dos recursos naturais, na preservação ambiental, no fortalecimento de sua organização interna, no resgate de sua cultura, na busca da articulação, do diálogo e da troca de experiências com outros povos.


Nome do Povo: XUKURU-KARIRI
População: Não disponível.
Localização: São Gotardo (provisória).
Terras demarcadas: Reivindicam uma área junto à FUNAI.
Tronco lingüístico: Macro-Jê
Distância a partir de Belo Horizonte: 311 km
O Povo Xukuru-Kariri é oriundo da região de Palmeiras dos Índios, em Alagoas. Após muitos conflitos de terras e mortes de indígenas, algumas famílias se mudaram para Botirama, na Bahia. Também fugindo de conflito nesta localidade alguns integrantes deste grupo, que tem como líder José Satiro vieram para o município de São Gotardo, em Minas Gerais. Em Guarda do Ferreiro, integrantes do grupo Xukuru vem trabalhando como diaristas nas plantações vizinhas. Reivindicam, junto `a FUNAI, uma área para o assentamento definitivo do grupo. Existe a possibilidade de que uma área em Pains, no Alto São Francisco, seja usada com este fim.

 Fonte: Câmara de Timóteo
Autora da Pesquisa:  Suely Itamar Santiago Silveira e Blog do Netuno

Um comentário:

  1. Parabens por essa excelente reportagem. As pesquisas do historiador Suely Itamar Santiago conferem com as necessidades de nós estudantes,que carecemos de fontes tão esclarecedoras como essa.
    Parabéns também ao autor desse blog.

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